radioterapia

A radioterapia para o câncer de cabeça e pescoço deixa sequelas?

Na lista de palavras que mais assustam as pessoas, existem 3 que muitos não gostam nem de pronunciar: câncer, radioterapia e quimioterapia. É compreensível, já que estamos nos referindo a uma das doenças mais desafiadoras dos últimos anos e a 2 tratamentos que, apesar de contribuírem muito para as taxas de sobrevida, apresentam efeitos colaterais significativos. Neste texto, vamos entender se a radioterapia para o tumor maligno de cabeça e pescoço deixa sequelas. 

O que é radioterapia

É o tratamento no qual se utilizam radiações ionizantes (não são vistas durante a aplicação) para destruir um tumor ou impedir que as células dele aumentem. Essa terapia por radiações pode ser externa ou interna. No 1º caso, as aplicações são geralmente diárias, enquanto, no 2º, de 1 a 2 vezes por semana.

Consequências no tratamento de neoplasia maligna de cabeça e pescoço

O desdobramento dessa terapia mais temido, sobretudo pelas mulheres, é a queda de cabelo. Fato é: pode acontecer, porém, a alopecia que ocorre durante o tratamento não costuma ser definitiva, e, muitas vezes, com o término do tratamento, o cabelo volta a nascer. 

No processo, as glândulas salivares estão usualmente dentro da zona de irradiação, provocando alterações morfofisiológicas, consequentemente, diminuindo o fluxo salivar. O nome para esse sintoma é xerostomia, ou, em outras palavras, “boca seca”. É uma queixa que começa na 1ª semana de aplicação, aumenta à medida que o tratamento evolui e pode perdurar por anos. Chicletes e balas sem adição de açúcar são muito bem-vindos, além disso, vale a recomendação de tomar cerca de 12 copos de líquido diariamente. 

Outra consequência é o aparecimento de feridas na boca, que podem causar muita dor e dificultar a alimentação. Como solução, pode-se apostar em escovação frequente; evitar ingerir alimentos duros, quentes, ácidos ou condimentados; fazer gargarejos com água bicarbonatada ou água salina; usar manteiga de cacau e garantir ao organismo o aporte necessário de líquidos.

Também pode ocorrer, no período de tratamento, alterações de pele na região que é alvo da terapia (pode ficar vermelha, irritada ou bronzeada), deixando-a seca e escamosa. Certos cuidados podem colaborar para atenuar esse quadro: evitar loções ou cremes antes de receber as radiações, não usar esparadrapo ou adesivos sobre a pele, não submeter a área irradiada a calor ou frio, inspecionar o corpo em busca de lesões e/ou de infecções e só aplicar produtos sob orientação médica. 

É possível, além dessas intercorrências, o paciente sentir dor, apresentar dificuldade para engolir, reclamar de incômodos no ouvido, perceber alterações da audição e da voz, bem como constatar hipotireoidismo, inchaço da face e do pescoço, dormência e/ou formigamento dos membros superiores e necrose óssea. 

São, portanto, algumas repercussões associadas à radioterapia. Em longo prazo, dependendo das particularidades do tratamento, as sequelas podem prejudicar o sistema endócrino, acarretar problemas ósseos, nas articulações e nos tecidos moles, desencadear doenças/transtornos neuropsiquiátricos, além de vulnerabilizar a visão e a saúde bucal. 

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder os seus comentários sobre esse assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como cirurgião de cabeça e pescoço em São Paulo!

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Posted by Pablo Gabriel Quintana