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Bócio multinodular: quando é necessário operar?

Bócio multinodular: quando é necessário operar?
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)
5 min. de leitura

Geralmente benigno e comum em mulheres acima de 50 anos, precisa de acompanhamento para que complicações desnecessárias sejam evitadas.

O bócio multinodular é uma condição relativamente comum da tireoide, que tem como característica o aumento da glândula associado à presença de diversos nódulos. Apesar de, na maioria dos casos, surgir de forma benigna e sem grandes complicações, em algumas situações o quadro pode evoluir e exigir tratamento mais específico — incluindo cirurgia.

Entender quando precisa de intervenção é importante para evitar complicações e garantir qualidade de vida ao paciente.

O que é o bócio multinodular?

O aumento da tireoide com a presença de múltiplos nódulos em sua estrutura é chamado de bócio multinodular. O bócio por si só se define pelo crescimento da glândula tireoide, desencadeado por diferentes causas, como alterações hormonais ou deficiência de iodo — um sal mineral importante para o organismo, uma vez que participa da síntese dos hormônios tireoidianos (T3 e T4).

No caso do bócio multinodular, o crescimento não é apenas da glândula, ocorre com a formação de vários nódulos, geralmente benignos, que se desenvolvem ao longo do tempo. A condição é mais comum em mulheres e tende a aparecer com maior frequência após os 50 anos de idade.

Mesmo que o diagnóstico possa causar preocupação, é válido destacar que a maioria dos casos de bócio multinodular não têm a mínima relação com algum tipo de câncer. Ainda assim, o acompanhamento médico é fundamental para a avaliação de possíveis mudanças no quadro.

E o bócio multinodular tóxico?

Surge como uma variação da doença, quando os nódulos passam a produzir hormônios tireoidianos de forma autônoma, levando ao hipertireoidismo. Nesse caso, a glândula age de forma desregulada, independentemente do controle hormonal normal do organismo.

Esse tipo costuma evoluir de forma lenta e com sintomas mais discretos no início, mas, se não tratado, pode causar complicações importantes, como problemas cardíacos, perda de massa óssea e impacto na qualidade de vida.

O bócio multinodular apresenta sintomas?

Nem sempre vem acompanhado de sintomas, principalmente quando os nódulos são pequenos e não interferem no funcionamento da tireoide. Muitos pacientes só descobrem a condição em exames de rotina ou avaliações de imagem. Quando há sintomas, geralmente estão relacionados ao aumento do volume da tireoide.

Entre os sinais mais comuns:

  • Inchaço ou aumento visível na região do pescoço;
  • Dificuldade para engolir ou respirar;
  • Sensação de pressão local.

Esses sintomas ocorrem porque o crescimento da glândula acaba comprimindo estruturas próximas, como traqueia e esôfago. Em alguns casos, também podem surgir alterações hormonais, levando a quadros de hipotireoidismo ou hipertireoidismo.

Quando o bócio multinodular é preocupante?

A condição se torna preocupante quando apresenta evolução, impacto funcional ou suspeita de malignidade, como:

  • Crescimento rápido dos nódulos;
  • Alterações na voz;
  • Dor persistente;
  • Dificuldade progressiva para engolir e respirar;
  • Alterações hormonais importantes também podem indicar a necessidade de intervenção.

Há um risco, ainda que baixo, de câncer de tireoide. Por isso a avaliação médica criteriosa é essencial para diferenciar casos benignos de situações que exigem tratamento mais agressivo.

O que causa bócio multinodular?

As causas têm relação com diversos fatores, sendo um dos mais conhecidos a deficiência de iodo, nutriente que é essencial para a produção dos hormônios tireoidianos. Além disso, outras situações incluem predisposição genética, envelhecimento e alterações na regulação hormonal da tireoide.

Em muitas situações, a condição se desenvolve lentamente ao longo dos anos, sem uma causa única claramente definida.

Fatores ambientais e o histórico familiar também podem influenciar o surgimento do bócio multinodular, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante em pessoas com maior risco.

Como o diagnóstico é realizado?

O diagnóstico é iniciado a partir de avaliação clínica, que inclui palpação da tireoide (exame físico realizado no pescoço para avaliar o tamanho, consistência, mobilidade e presença de nódulos ou sensibilidade na glândula) e análise dos sintomas. Assim, o médico tem mais autonomia para solicitar exames complementares e confirmar o quadro.

Os principais exames incluem ultrassonografia da tireoide, que permite visualizar os nódulos, e exames de sangue para avaliar os níveis hormonais, como o TSH.

Qual médico procurar em casos de bócio multinodular?

Inicialmente, é necessário procurar um endocrinologista, especialista em doenças hormonais e da tireoide: o profissional será responsável pelo diagnóstico inicial e acompanhamento clínico.

A partir do momento em que há indicação de cirurgia ou suspeita de malignidade, o cirurgião de cabeça e pescoço é o especialista mais indicado para conduzir o tratamento. Esse profissional, que pode ser o Dr. Pablo Quintana, tem experiência específica em procedimentos envolvendo a tireoide, o que vai garantir maior segurança ao paciente.

Como é o tratamento para bócio multinodular?

Varia de acordo com o tamanho dos nódulos, presença de sintomas e alterações hormonais e, quando o quadro é leve e assintomático, apenas o acompanhamento clínico é o bastante.

Outras opções podem incluir o uso de medicamentos para controle hormonal e, em casos específicos, o uso de iodo radioativo para reduzir o volume da tireoide. A escolha do tratamento deve sempre ser de acordo com a avaliação individual de cada paciente.

O objetivo principal é controlar os sintomas, evitar complicações e monitorar possíveis mudanças nos nódulos ao longo do tempo.

Quando o tratamento cirúrgico é indicado?

A cirurgia para bócio multinodular é indicada em situações específicas, quando há:

  • Presença de nódulos suspeitos ou confirmação de câncer;
  • Crescimento progressivo do bócio;
  • Compressão de estruturas do pescoço (dificuldade para respirar ou engolir).

Outro ponto: pacientes com bócio multinodular tóxico ou que não respondem a outros tratamentos também podem precisar de intervenção cirúrgica.

O procedimento cirúrgico mais comum é a tireoidectomia, podendo ser parcial ou total, a depender da extensão da doença. Apesar de envolver riscos, a cirurgia costuma oferecer resolução definitiva do problema, principalmente nos casos mais avançados.

 

Fontes:

Dr. Pablo Quintana

Brasil Escola (Uol)