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Glossectomia: como a cirurgia funciona?

Glossectomia: como a cirurgia funciona?
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)
5 min. de leitura

Consiste em um procedimento cirúrgico para remover partes da língua, geralmente para tratar o câncer de língua. Entenda como funciona, seus tipos, riscos e o que esperar da recuperação

Considerado um procedimento cirúrgico complexo, é bastante necessário para tratar doenças graves que afetam a língua, principalmente o câncer oral. Por mais que cause apreensão nos pacientes, a cirurgia é fundamental para preservar a vida.

Ao longo deste conteúdo, vamos esclarecer dúvidas comuns sobre fala, paladar e alimentação após o procedimento.

O que é a cirurgia de glossectomia?

A glossectomia é uma cirurgia de remoção parcial, subtotal ou total da língua, normalmente indicada para tratar tumores malignos ou lesões graves na cavidade oral. O procedimento é considerado de alta complexidade, já que a língua desempenha funções essenciais como fala, mastigação, deglutição e paladar. Por isso, o planejamento cirúrgico é feito de forma individualizada, considerando a extensão da doença e a necessidade de preservar ao máximo essas funções.

Na prática, a glossectomia pode envolver técnicas modernas, como cirurgia robótica ou laser, além de reconstruções com enxertos para melhorar a funcionalidade após a retirada do tecido afetado.

Principais tipos de glossectomia

É classificada conforme a quantidade de língua removida, no qual cada técnica tem indicações específicas e diferentes impactos na qualidade de vida do paciente.

Glossectomia parcial

Indicada quando o tumor se encontra em uma área restrita da língua. Aqui, apenas uma parte do órgão é removida, preservando o máximo possível de tecido saudável. Na prática, essa técnica permite manter funções importantes, como fala e deglutição, com menor impacto funcional. Porém, pode haver necessidade de reabilitação com fonoaudiologia após a cirurgia.

Hemiglossectomia

Consiste na retirada de metade da língua, sendo indicada quando a lesão ocupa um dos lados do órgão. Esse tipo de glossectomia é mais invasivo que a parcial, ainda permitindo alguma preservação funcional.

Durante o procedimento, o cirurgião remove o tecido comprometido e, em muitos casos, faz uma reconstrução com enxertos para melhorar a mobilidade e a capacidade de alimentação do paciente.

Glossectomia subtotal

Esse procedimento envolve a remoção de grande parte da língua, e é indicado em tumores mais extensos. Neste caso, apenas uma pequena porção do órgão é preservada.

Infelizmente, esse tipo de glossectomia impacta significativamente a fala e a deglutição, e ainda exige um processo de reabilitação mais intenso com acompanhamento multidisciplinar.

Glossectomia total

É a retirada completa da língua, que ocorre em casos avançados de câncer ou quando não há nenhuma possibilidade de preservar o órgão, considerado o tipo mais radical de glossectomia, com grande impacto funcional.

Após a cirurgia, o paciente precisará adaptar completamente a forma de se comunicar e se alimentar, com suporte de profissionais especializados.

Possíveis riscos e sequelas da glossectomia total

Como qualquer cirurgia complexa, a glossectomia tem seus riscos e, entre os principais, estão sangramentos, infecções e possíveis lesões nervosas.

Na glossectomia total, as sequelas podem ser mais significativas: o paciente pode apresentar dificuldade permanente na fala, alterações na deglutição e perda parcial ou total do paladar. Além disso, impactos emocionais importantes podem acontecer, já que a cirurgia afeta diretamente funções básicas e a qualidade de vida. Assim, o acompanhamento psicológico é fundamental para o processo de recuperação.

Pós-operatório e recuperação da glossectomia

Nos primeiros dias, é normal que o paciente fique internado para controle da dor, prevenção de infecções e monitoramento da cicatrização. O pós-operatório requer cuidados intensivos e acompanhamento médico contínuo.

Já a recuperação envolve uma equipe médica multidisciplinar, incluindo:

  • Cirurgião;
  • Fonoaudiólogo;
  • Nutricionista;
  • Fisioterapeuta (em alguns casos).

A reabilitação da fala e da deglutição é uma etapa essencial, sendo outro ponto importante a adaptação gradual à alimentação e às novas condições funcionais. O tempo de recuperação varia de acordo com o tipo de cirurgia realizada e o estado geral do paciente.

Qual médico realiza a glossectomia?

Quem realiza esse tipo de cirurgia é um cirurgião de cabeça e pescoço, como o Dr. Pablo Quintana, especialista no tratamento de doenças da cavidade oral, garganta e estruturas associadas.

O profissional para realizar esse tipo de procedimento precisa de formação específica para lidar com tumores e realizar cirurgias complexas, garantindo maior segurança e melhores resultados para o paciente.

Em muitos casos, o tratamento também envolve uma equipe oncológica completa, incluindo radioterapia e quimioterapia, dependendo da gravidade da doença.

FAQ

A seguir, dúvidas comuns que chegam ao nosso consultório.

Como fica o paladar após a glossectomia?

O paladar pode ser afetado após o procedimento, principalmente quando a cirurgia é mais extensa. Isso acontece porque a língua é responsável por grande parte da percepção dos sabores.

Quando é feita a glossectomia parcial, pode haver preservação parcial do paladar, mas, já na glossectomia total, a perda tende a ser mais significativa, exigindo adaptação por parte do paciente.

Quais os riscos de perder a voz após a glossectomia?

A glossectomia não remove diretamente as cordas vocais, mas pode afetar a articulação das palavras, já que a língua é essencial para a fala.

Aqui outro ponto relacionado a procedimentos mais extensos: quando mais longo, o paciente pode ter dificuldade significativa para se comunicar, sendo necessário reabilitação com fonoaudiologia e, em alguns casos, uso de métodos alternativos de comunicação.

Como será a alimentação após a glossectomia?

A alimentação após a glossectomia passa por mudanças importantes: nos primeiros dias, o paciente tem grandes chances de receber nutrição por sonda, até que a cicatrização permita a ingestão oral. Com o tempo, a dieta evolui para alimentos pastosos e, gradualmente, para consistências mais sólidas, conforme a adaptação do paciente. Esse processo deve ser acompanhado por um nutricionista.

Algumas vezes surge a necessidade de reaprender a mastigar e engolir, especialmente após uma glossectomia mais extensa. A reabilitação alimentar é essencial para garantir qualidade de vida e evitar complicações.

 

Fontes:

Dr. Pablo Quintana

Instituto Nacional de Câncer (INCA)