Além dos cânceres cervicais, o HPV também pode causar câncer na boca, porém a tendência é de que seja menos agressivo em relação aos demais tipos.
O papilomavírus humano (HPV) define-se como uma infecção sexualmente transmissível que, infelizmente, é bem comum, capaz de afetar diferentes regiões do corpo. Muitas infecções acabam sendo eliminadas naturalmente pelo organismo, já outras evoluem para condições mais graves, como o câncer.
Como casos associados ao vírus não param de surgir, é importante compreender a ligação entre HPV e câncer de boca para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento eficaz.
Continue a leitura para entender como ocorre essa relação e quais as melhores medidas para seguir.
Qual a ligação entre o HPV e o câncer de boca?
Essa conexão está diretamente relacionada à capacidade que alguns tipos do vírus têm de provocar alterações nas células da mucosa oral. Quando a infecção persiste por longos períodos, existe uma grande possibilidade de lesões pré-cancerígenas se desenvolverem e evoluírem para tumores malignos. Além disso, o HPV pode infectar regiões como língua, amígdalas e garganta, fatores que aumentam o risco de câncer orofaríngeo (tumor maligno que se desenvolve na orofaringe, a parte central da garganta situada atrás da boca).
Segundo estudos, a infecção pelo vírus está totalmente associada a um número crescente de casos de câncer bucal, principalmente em pessoas mais jovens e sem histórico de tabagismo ou alcoolismo.
Qual tipo de HPV causa câncer de boca?
São mais de 100 tipos de HPV, mas nem todos têm alto risco para o desenvolvimento de câncer. Entre eles, os HPVs tipo 16 e 18 são subtipos do papilomavírus humano classificados como de alto risco oncogênico, ou seja, possuem maior capacidade de causar câncer em comparação com outros tipos do vírus.
Esses dois tipos são especialmente importantes porque estão diretamente relacionados ao desenvolvimento de diversos tumores, incluindo colo do útero, ânus, orofaringe e à associação entre HPV e câncer de boca.
HPVs 6 e 11 são considerados de baixo risco e geralmente causam apenas verrugas benignas, mas, ainda assim, qualquer infecção deve ser acompanhada, pois o comportamento do vírus varia de acordo com o organismo afetado.
Como ocorre a transmissão do HPV para a boca?
A transmissão ocorre principalmente via contato direto com mucosas infectadas: o sexo oral, sem proteção, é uma das principais formas de disseminação, considerado um fator importante na relação entre HPV e câncer de boca.
Outra maneira de contrair o vírus é pelo contato pele a pele ou com lesões infectadas, mesmo sem penetração. O HPV entra no organismo por pequenas fissuras ou microlesões na mucosa, o que facilita a infecção.
Por isso a adoção de medidas preventivas é tão essencial para reduzir o risco de infecção e, consequentemente, de desenvolvimento de câncer bucal associado ao vírus.
Principais sinais e sintomas de alerta
No início, a infecção por HPV na boca pode não trazer sintomas evidentes, dificultando o diagnóstico precoce. Mesmo assim, existem sinais que podem indicar a presença do vírus e a possível evolução para câncer, como:
- Lesões esbranquiçadas ou avermelhadas na boca;
- Verrugas ou pequenas elevações na mucosa;
- Feridas que não cicatrizam;
- Dor persistente;
- Dificuldade para engolir;
- Alterações na voz.
Em estágios mais avançados, pode haver sangramentos e aumento de volume na região afetada.
Outros fatores de risco para o câncer bucal
Por mais que a relação entre HPV e câncer de boca seja relevante, outros fatores contribuem para o desenvolvimento da doença, incluindo o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, que continuam sendo os principais fatores de risco tradicionais.
Estilos de vida que incluam má higiene bucal, alimentação inadequada e exposição excessiva ao sol (no caso dos lábios) também podem aumentar o risco. Esses fatores, somados à infecção pelo HPV, potencializam ainda mais as chances de desenvolvimento do câncer.
Logo, a prevenção deve considerar não apenas o vírus, mas também o estilo de vida do paciente.
Como prevenir o câncer de boca por HPV?
A principal estratégia para reduzir os casos é a prevenção, sendo a vacinação contra o HPV uma das medidas mais eficazes, capaz de proteger contra os principais tipos oncogênicos do vírus.
Além da vacina, outras práticas consideradas fundamentais são:
- Uso de preservativo, inclusive no sexo oral;
- Redução de múltiplos parceiros sexuais.
Como mencionado no tópico anterior, também é importante manter uma boa higiene bucal, evitar o consumo de álcool e tabaco, além de consultas periódicas com profissionais de saúde.
Quando é necessário procurar um especialista em câncer de boca?
Assim que houver sinais persistentes na cavidade oral, a busca por um especialista deve ocorrer. Lesões que não cicatrizam em até 15 dias devem ser avaliadas por um profissional. Pessoas com histórico de HPV, hábitos de risco ou sintomas como dor, dificuldade para engolir e alterações na fala também devem procurar atendimento o quanto antes.
Consultas regulares com o especialista em cabeça e pescoço são fundamentais para identificar alterações precocemente e garantir melhor prognóstico ao paciente.
Lembre-se: o diagnóstico precoce é determinante para um tratamento mais eficaz e menos invasivo.
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Fontes:

